
Autor(a): Diro Hokari
No tomate, o nematoide aparece como murcha, mas nasce como dano radicular
O tomateiro é muito sensível ao ataque de nematoides, principalmente os do gênero Meloidogyne. Entre as espécies mais comuns estão Meloidogyne incognita, Meloidogyne javanica e Meloidogyne arenaria, que têm ampla distribuição em cultivos de tomateiro.
O problema é que o produtor muitas vezes percebe primeiro a murcha. A planta perde turgescência, sente o calor do dia e parece sofrer por falta de água. No entanto, em muitos casos, a água está no solo. O que falha é a raiz.
Galhas travam a absorção da planta
Quando Meloidogyne ataca o tomateiro, a raiz pode formar galhas. Essas estruturas prejudicam o funcionamento normal do sistema radicular.
Com isso, a planta absorve menos água e nutrientes. Além disso, como o tomate tem alta exigência durante crescimento, florescimento e enchimento de frutos, qualquer redução na raiz pesa rápido na produção.
O resultado pode aparecer como plantas menores, amarelecimento, murcha nas horas mais quentes, queda de pegamento, menor enchimento e desuniformidade.
Cultivo intensivo aumenta a pressão
Produtores costumam cultivar tomate em áreas intensivas, muitas vezes com irrigação, sucessão de hortaliças e alto uso do solo. Esse cenário favorece o aumento da população de nematoides quando o produtor não planeja bem o manejo.
Além disso, várias plantas usadas na rotação também podem ser hospedeiras. Portanto, apenas trocar de cultura não garante redução do problema. A escolha precisa considerar a espécie de nematoide presente.
Muda, substrato e área precisam ser tratados como ponto de entrada
O manejo deve começar com muda sadia. Bandejas, substratos, água e área de plantio precisam estar livres de contaminação.
Depois, entram práticas como análise nematológica, rotação com plantas não hospedeiras, cultivares resistentes quando disponíveis, eliminação de restos culturais, controle de plantas daninhas e melhoria do solo.
A resistência genética pode ajudar, mas não deve ser tratada como solução única. Ela precisa entrar dentro de um manejo integrado.
Conclusão
No tomate, o nematoide pode parecer falta de água, mas o problema real começa na raiz. Quando as galhas comprometem o sistema radicular, a planta perde força justamente nas fases em que mais precisa absorver água e nutrientes.
Por isso, o manejo deve começar antes do transplante. Quem espera a murcha aparecer pode descobrir tarde demais que o problema estava escondido no solo.
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Fonte: Embrapa, “Manejo de nematoides na cultura do tomate”; Embrapa, materiais sobre Meloidogyne no tomateiro.