O descompactador natural do solo tem nome: exopolissacarídeos

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Autor(a): Diro Hokari

Compactação não é só um problema físico

Quando o produtor pensa em compactação, normalmente lembra de solo duro, raiz travada e baixa infiltração de água. Isso está certo. Porém, a compactação não envolve apenas força mecânica.

Ela também tem relação com a falta de vida ativa ajudando a construir a estrutura do solo.

Um solo sem boa atividade biológica perde capacidade de formar agregados, organizar poros e manter um ambiente favorável para raízes e microrganismos. Com isso, a água infiltra pior, o ar circula menos e a raiz encontra mais dificuldade para crescer.

Por isso, o manejo da compactação não deve olhar apenas para máquinas e implementos. Ele também precisa olhar para a biologia.

O nome desse “descompactador natural” é exopolissacarídeo

Os exopolissacarídeos, também chamados de EPS, são substâncias produzidas por microrganismos no solo, principalmente na região da rizosfera.

Eles funcionam como uma espécie de geleia bacteriana. Essa geleia ajuda a unir partículas do solo e favorece a formação de agregados mais estáveis.

Na prática, os EPS não substituem o manejo físico quando existe uma camada compactada severa. No entanto, eles ajudam a construir estrutura biológica no solo ao longo do tempo.

E isso muda muito o ambiente onde a raiz cresce.

Geleia bacteriana que ajuda o solo a formar estrutura

Imagine o solo como um conjunto de partículas soltas. Quando essas partículas ficam desorganizadas, o solo perde estabilidade, compacta com mais facilidade e responde pior à chuva.

Agora, quando microrganismos ativos produzem EPS, essas substâncias ajudam a “colar” partículas minerais e matéria orgânica. Assim, o solo começa a formar agregados.

Com mais agregação, o solo tende a melhorar sua porosidade. Consequentemente, a água infiltra melhor, o ar circula com mais facilidade e a raiz encontra um caminho mais favorável para crescer.

Porosidade, ar e água trabalham juntos

Um solo bem estruturado não é apenas um solo fofo. Ele precisa equilibrar água e ar.

Quando há bons poros, a água consegue entrar e se movimentar. Além disso, o oxigênio circula melhor, o que favorece a respiração das raízes e a atividade dos microrganismos.

Por outro lado, quando o solo perde estrutura, os poros diminuem. Nesse cenário, a água pode escorrer, acumular ou não ficar disponível para a planta. Ao mesmo tempo, a raiz encontra mais resistência física e menor troca gasosa.

Por isso, a agregação do solo tem impacto direto no funcionamento da lavoura.

A raiz responde ao ambiente biológico

A raiz não cresce bem apenas porque existe nutriente no solo. Ela precisa de ambiente.

Quando o solo apresenta boa estrutura, microbiologia ativa e melhor circulação de ar e água, a raiz consegue explorar melhor o perfil. Assim, ela busca água, acessa nutrientes e sustenta melhor o desenvolvimento da planta.

Além disso, a rizosfera se torna mais ativa. Nessa região, raiz e microrganismos trocam sinais, alimentos e benefícios. Quanto mais vivo esse ambiente, maior a chance de a planta começar o ciclo com mais equilíbrio.

Solo com biologia ativa constrói estrutura

A estrutura do solo não nasce só de uma operação mecânica. Ela também nasce da vida.

Raízes, matéria orgânica e microrganismos participam da formação e da estabilidade dos agregados. Nesse processo, os exopolissacarídeos têm papel importante porque ajudam a ligar partículas e criar um ambiente mais organizado.

Por isso, quando o produtor estimula a microbiologia do solo, ele não cuida apenas da nutrição. Ele também favorece a construção de estrutura, a infiltração de água, a retenção de umidade e o crescimento radicular.

O ponto principal para o produtor

Compactação não deve ser tratada apenas como solo duro. Muitas vezes, ela também mostra que o solo perdeu vida, perdeu agregação e perdeu capacidade de funcionar bem.

Por isso, um manejo eficiente precisa unir diferentes frentes: cobertura do solo, raízes ativas, matéria orgânica, menor revolvimento, controle de tráfego, correção física quando necessário e estímulo à atividade biológica.

Quando água, ar, raízes e microrganismos trabalham juntos, o solo responde melhor.

Conclusão

O “descompactador natural” do solo tem nome: exopolissacarídeos.

Eles não fazem o trabalho sozinhos, mas ajudam a formar agregados, melhorar a porosidade e criar um ambiente mais favorável para as raízes.

Portanto, olhar para a compactação apenas como um problema físico limita o manejo. O solo também precisa de biologia ativa para construir estrutura de verdade.

Fonte científica: Microbial Extracellular Polymeric Substances: Ecological Function and Impact on Soil Aggregation, Costa, Raaijmakers e Kuramae, Frontiers in Microbiology, 2018.

Fonte: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmicb.2018.01636/full


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