Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica: por que esses nematoides preocupam na soja?

Conhecendo os nematoides: tudo sobre o Meloidogyne

Autor(a): Diro Hokari

Nematoides das galhas começam o problema pela raiz

Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica estão entre os nematoides mais conhecidos nas lavouras de soja. Eles recebem o nome de nematoides das galhas porque induzem a formação de engrossamentos nas raízes.

Esse sintoma chama atenção, mas o prejuízo começa antes de o produtor enxergar o problema na parte aérea. Primeiro, o nematoide penetra na raiz. Depois, altera o tecido vegetal e passa a usar a planta como fonte de alimento.

Com isso, a raiz perde eficiência. Ela absorve menos água, acessa menos nutrientes e sustenta pior o desenvolvimento da lavoura.

O que acontece dentro da raiz?

A raiz funciona como a base da produtividade. Ela busca água, absorve nutrientes e mantém a planta ativa mesmo em períodos de estresse. Porém, quando Meloidogyne incognita ou Meloidogyne javanica atacam, essa função começa a falhar.

Esses nematoides alteram células da raiz e induzem a formação de estruturas que desviam energia da planta. Assim, parte do que a soja usaria para crescer, formar área foliar e sustentar o potencial produtivo passa a alimentar o próprio problema.

Além disso, as galhas prejudicam o funcionamento normal do sistema radicular. A raiz fica menos eficiente e a planta pode sentir mais cedo a falta de água, o calor, a compactação e a baixa disponibilidade de nutrientes.

O sintoma aparece em cima, mas o dano começou embaixo

No campo, o produtor pode observar plantas menores, amarelecimento, falhas em reboleiras e queda no vigor da lavoura. No entanto, esses sinais não aparecem logo no início do ataque.

Na maioria das vezes, quando a parte aérea mostra o problema, a raiz já sofreu danos. Por isso, esperar a soja amarelecer para pensar em nematoide pode custar caro.

Esse é um dos maiores desafios do manejo. O nematoide trabalha no solo, muitas vezes sem chamar atenção no começo. Enquanto isso, a população pode crescer e comprometer o desenvolvimento das plantas.

Por que arrancar plantas ajuda no diagnóstico?

Arrancar plantas no campo e observar as raízes ajuda o produtor a enxergar o que a parte aérea ainda não mostra. Em áreas com suspeita de nematoide das galhas, a presença de engrossamentos nas raízes merece atenção.

No entanto, o diagnóstico visual não substitui a análise nematológica. A avaliação em laboratório ajuda a identificar quais nematoides estão presentes e qual a pressão na área.

Com essa informação, o produtor consegue planejar melhor a próxima safra, escolher estratégias de rotação, ajustar plantas de cobertura e posicionar melhor o manejo biológico no plantio.

O manejo precisa começar antes da explosão populacional

Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica não devem entrar no planejamento apenas depois do prejuízo aparecer. O manejo precisa começar antes da explosão populacional.

Isso envolve conhecer o histórico da área, fazer análise nematológica, evitar culturas ou plantas hospedeiras favoráveis, usar sementes de qualidade, melhorar a estrutura do solo e estimular a atividade biológica na rizosfera.

Além disso, o plantio representa uma janela estratégica. Nesse momento, a raiz ainda está nascendo e o ambiente ao redor dela pode influenciar o restante do ciclo.

Rizosfera ativa ajuda a raiz a começar melhor

A rizosfera é a região do solo diretamente influenciada pela raiz. Ali, microrganismos benéficos, patógenos e nematoides disputam espaço e alimento.

Quando o produtor estimula uma microbiologia mais ativa nesse ambiente, a raiz encontra melhores condições para crescer. Além disso, microrganismos benéficos podem ocupar espaço, competir por alimento e ajudar a construir um ambiente biológico mais equilibrado.

Esse equilíbrio não elimina o problema sozinho. Porém, dentro de um manejo integrado, pode reduzir a vulnerabilidade da raiz e ajudar a planta a começar o ciclo com mais força.

Conclusão

Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica preocupam porque atacam a raiz, reduzem sua eficiência e comprometem o potencial produtivo da soja antes mesmo de o produtor perceber os sintomas na parte aérea.

Por isso, o manejo precisa começar cedo. O produtor deve olhar para a raiz, monitorar a área e agir antes da população crescer.

No campo, quem espera a planta mostrar o problema pode chegar tarde. Já quem cuida da raiz desde o início aumenta as chances de manter a lavoura mais equilibrada e produtiva.

Leia também: Como prevenir nematoide logo no plantio?

Fonte: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1143066/bioinsumos-na-cultura-da-soja

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