Guia de nematoides no milho: a rotação também pode manter o problema

Ataque de nematoides no milho - Revista Cultivar

Autor(a): Diro Hokari

Palavra-chave foco: nematoides no milho
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Meta descrição: Entenda como nematoides no milho atacam raízes, reduzem desenvolvimento e podem interferir no manejo de áreas com soja e outras culturas.

Milho não é sempre descanso para o solo

O milho muitas vezes entra no sistema como cultura de rotação. Porém, quando o assunto é nematoide, ele não pode ser escolhido no automático.

Segundo a Embrapa, estudos já registram mais de 40 espécies de 12 gêneros de nematoides que parasitam raízes de milho em áreas produtoras do mundo.

Entre os mais importantes estão Pratylenchus brachyurus e Pratylenchus zeae, nematoides das lesões radiculares. Essas espécies podem atacar severamente a cultura do milho e causar perdas significativas.

O ataque reduz o sistema radicular

Os nematoides das lesões penetram na raiz e se movimentam pelos tecidos. Com isso, causam lesões, escurecimento e redução do volume radicular.

Na parte aérea, o milho pode apresentar menor crescimento, amarelecimento, desuniformidade e menor tolerância ao estresse hídrico. Porém, esses sintomas podem ser confundidos com compactação, deficiência nutricional ou seca.

Por isso, a raiz precisa ser observada. Quando a planta não responde bem, mesmo com manejo correto, o problema pode estar abaixo da superfície.

Sistema soja-milho precisa de diagnóstico

Em muitas regiões, o milho entra após soja. Porém, alguns nematoides conseguem se manter nas duas culturas ou em plantas daninhas presentes no sistema.

Assim, a rotação só funciona quando a cultura escolhida reduz a população do nematoide presente. Caso contrário, ela apenas mantém o problema vivo até a próxima safra.

Manejo no milho começa com a espécie correta

O manejo envolve análise nematológica, escolha de híbridos com melhor comportamento quando houver informação disponível, controle de plantas daninhas, rotação com espécies não hospedeiras, palhada e melhoria da estrutura do solo.

Além disso, solos com boa porosidade e raiz mais profunda ajudam a planta a tolerar melhor o estresse. Isso não substitui o manejo de nematoides, mas melhora a capacidade da cultura de enfrentar o problema.

Conclusão

Nematoides no milho mostram que nem toda rotação é automaticamente boa. A cultura pode ajudar ou atrapalhar, dependendo da espécie presente no solo.

Por isso, o produtor precisa saber quem está atacando a raiz antes de montar o sistema. Rotação sem diagnóstico pode virar multiplicação disfarçada.

Leia também: Clima irregular e nematoides: por que a raiz sente primeiro

Fonte: Portal Embrapa, materiais sobre doenças causadas por nematoides no milho; Embrapa, documentos sobre Pratylenchus.

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