Guia de nematoides na soja: o ataque que começa antes da reboleira aparecer

Nematoides na Cultura da Soja: Identificação, Danos e Manejo | Blog MFA

Autor(a): Diro Hokari

Na soja, o nematoide trabalha em silêncio

Os nematoides na soja estão entre os problemas mais difíceis de perceber no começo. Isso acontece porque o dano começa no solo, principalmente nas raízes, enquanto a parte aérea ainda pode parecer normal.

Entre os principais nematoides da soja estão Meloidogyne incognita, Meloidogyne javanica, Heterodera glycines e Pratylenchus brachyurus. Os nematoides das galhas e o nematoide de cisto são apontados como importantes causadores de perdas na cultura da soja no Brasil.

No começo, o produtor pode não ver nada de muito claro. No entanto, dentro da raiz, o nematoide já está interferindo na absorção de água e nutrientes. Com isso, a planta perde força antes mesmo de amarelar.

Cada nematoide causa um tipo de dano

Os nematoides das galhas, como Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica, induzem engrossamentos nas raízes. Essas galhas chamam atenção, mas o prejuízo começa antes delas ficarem evidentes. Primeiro, o nematoide penetra na raiz. Depois, altera o tecido vegetal e passa a se alimentar ali.

Pratylenchus brachyurus causa lesões radiculares. Nesse caso, a raiz pode ficar escurecida, reduzida e menos eficiente. Além disso, as lesões favorecem um sistema radicular mais fraco, que sofre mais em solos compactados, secos ou com baixa atividade biológica.

O Heterodera glycines, conhecido como nematoide de cisto da soja, também merece atenção. Ele é difícil de manejar porque suas estruturas de sobrevivência podem permanecer no solo, mantendo o problema para as próximas safras.

O sintoma aparece em cima, mas a perda começou embaixo

No campo, os sintomas mais comuns são reboleiras, plantas menores, amarelecimento, baixo vigor e falhas no desenvolvimento. Porém, esses sinais podem ser confundidos com deficiência nutricional, seca, compactação ou falha de fertilidade.

Por isso, olhar apenas a folha pode enganar. A raiz precisa ser arrancada e observada. Se houver galhas, lesões ou sistema radicular pobre, o alerta deve ser ligado.

Ainda assim, o diagnóstico visual não basta. A análise nematológica é necessária para identificar quais espécies estão presentes e qual é a pressão na área.

O manejo começa antes do plantio

Na soja, esperar o sintoma aparecer é correr atrás do prejuízo. O manejo precisa começar com histórico da área, análise de solo e raiz, escolha de cultivar, rotação de culturas, controle de plantas daninhas hospedeiras e melhoria da estrutura do solo.

Além disso, o plantio é uma janela estratégica. Nesse momento, a raiz está começando a ocupar o solo. Se ela encontra compactação, baixa biologia e alta pressão de nematoides, a lavoura já começa em desvantagem.

Conclusão

Nematoides na soja não devem ser tratados como um problema de fim de safra. Eles começam pela raiz, crescem em silêncio e só depois aparecem em reboleiras.

Por isso, o produtor precisa olhar para baixo antes de tentar corrigir em cima. Quem monitora a raiz, conhece o histórico da área e age antes da população crescer tem mais chance de manter a lavoura forte.

Leia também: Como prevenir nematoide logo no plantio?

Fonte: Embrapa, “Nematóides em Soja: Identificação e Controle”; Embrapa, materiais sobre nematoides associados à soja no Brasil.

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