Autor(a): Diro Hokari
Corrugata no tomateiro: uma doença que começa por dentro
A Corrugata, associada à necrose da medula do tomateiro, é uma doença bacteriana que merece atenção no manejo da cultura. O problema é que o ataque acontece por dentro da haste. Por isso, muitas vezes, quando o produtor percebe o sintoma na parte aérea, a doença já avançou internamente.
Primeiro, a planta pode amarelar. Depois, começa a murchar. Em seguida, quando o caule é aberto, a medula pode aparecer escurecida, necrosada, oca ou com aspecto corrugado.
Esse é o sinal mais importante. A planta não perde força apenas por fora. O tecido interno da haste é comprometido, e isso afeta o transporte de água e nutrientes.
O que é a necrose da medula do tomateiro?
A necrose da medula do tomateiro está associada a bactérias do gênero Pseudomonas, incluindo Pseudomonas corrugata. Por isso, em muitos materiais técnicos, a doença também aparece relacionada ao nome Corrugata.
Na prática, o produtor percebe o problema quando a planta começa a perder vigor, amarelar e murchar. Porém, o diagnóstico visual mais marcante aparece quando a haste é cortada no sentido longitudinal. Nesse momento, a parte interna do caule pode mostrar escurecimento, necrose, cavidades e aspecto irregular.
Além disso, a doença pode ser confundida com outros problemas vasculares ou com estresses que também causam murcha. Por isso, o histórico da área, as condições climáticas e o manejo realizado antes do aparecimento dos sintomas precisam ser observados.
Ferimentos abrem a porta para a doença
O ponto crítico da Corrugata no tomateiro é a entrada da bactéria por ferimentos. Isso pode acontecer durante práticas comuns do manejo, como poda, desbrota, tutoramento, colheita, manuseio das plantas e uso de ferramentas contaminadas.
Ou seja, uma operação feita sem cuidado pode virar porta de entrada para a bactéria.
Além disso, períodos de alta umidade aumentam o risco. Quando o ambiente está úmido, a bactéria encontra melhores condições para se espalhar e colonizar tecidos feridos. Por isso, podas e desbrotas em dias chuvosos ou muito úmidos podem favorecer o problema.
Nesse caso, o manejo precisa ser preventivo. Depois que a doença se instala, não existe uma solução simples capaz de recuperar totalmente a planta afetada.
Sintomas da Corrugata no tomateiro
Os sintomas podem variar conforme a condição da planta, o ambiente e o estágio da doença. No entanto, alguns sinais merecem atenção.
A planta pode apresentar amarelecimento, perda de vigor e murcha. Em casos mais avançados, o caule pode mostrar escurecimento interno, medula necrosada, oca ou com aparência corrugada. Também podem surgir alterações na haste e desenvolvimento irregular da planta.
O problema é que esses sintomas externos nem sempre aparecem no começo. Por isso, a avaliação da haste é importante quando existe suspeita da doença.
Quando a lavoura começa a mostrar plantas murchas de forma pontual, principalmente depois de períodos úmidos e manejos com ferimentos, vale investigar.
Como reduzir o risco da doença?
O manejo da Corrugata começa antes da doença aparecer. A primeira medida é trabalhar com mudas sadias. Isso reduz a chance de levar problema para dentro da área logo no início do ciclo.
Além disso, ferramentas precisam ser limpas e desinfectadas com frequência, principalmente durante poda e desbrota. Essa prática ajuda a reduzir a disseminação entre plantas.
Outro cuidado importante é evitar operações em dias muito úmidos ou chuvosos. Quando a planta está molhada, o risco de espalhamento aumenta. Portanto, sempre que possível, o manejo deve ser feito em condições mais secas.
Também é importante remover plantas muito afetadas, evitar excesso de adubação nitrogenada, melhorar a ventilação da área e reduzir situações de estresse. Quanto mais equilibrada a planta estiver, melhor será sua resposta ao manejo.
Onde os bioinsumos entram no manejo preventivo?
Bioinsumos bem posicionados entram como parte do manejo preventivo. Eles não devem ser vistos como cura para uma planta já tomada pela doença. O papel principal está em melhorar o ambiente do solo e favorecer uma planta mais equilibrada desde o início.
Microrganismos benéficos ajudam a ativar a vida na rizosfera, melhorar o ambiente da raiz, reduzir estresses e favorecer um sistema radicular mais funcional.
Além disso, esses microrganismos podem ocupar espaço, competir por alimento e estimular mecanismos naturais de defesa da planta. Dessa forma, o ambiente ao redor da raiz se torna mais ativo e mais equilibrado.
No entanto, bioinsumo não trabalha sozinho. Ele precisa de solo com cobertura, umidade adequada, matéria orgânica, raiz ativa e manejo bem feito.
O manejo precisa ser integrado
A Corrugata mostra uma lição importante para o produtor de tomate: ferimento mal manejado vira porta de entrada para doença.
Por isso, o manejo não pode depender de uma única prática. É preciso combinar muda sadia, higiene de ferramentas, desinfecção entre plantas, cuidado com poda em dias úmidos, bom manejo nutricional, ambiente radicular equilibrado e atenção constante aos primeiros sintomas.
Quando o foco está apenas em reagir depois da murcha, o produtor chega atrasado. Porém, quando o manejo começa antes, a lavoura tem mais chance de passar pelo ciclo com menor pressão de doenças.
No tomateiro, proteger a haste começa antes do corte.
E proteger a planta começa no solo, na raiz e no manejo diário.
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Fonte principal: Tomato Pith Necrosis, NC State Extension, 2024.