Por que os bionematicidas estão crescendo tanto no Brasil?

Nematóides: quais as principais espécies que atacam a soja? - Sensix Blog

Autor(a): Diro Hokari

Nematoide não se resolve no susto

Nematoide não é um problema para tratar só quando a lavoura começa a falhar. Quando o produtor percebe plantas menores, reboleiras, amarelecimento ou raiz comprometida, muitas vezes a população já cresceu no solo.

Por isso, o manejo precisa começar antes. E é justamente por essa razão que os bionematicidas vêm ganhando tanto espaço no Brasil.

O produtor percebeu que nematoide não se resolve no susto. Ele exige sistema, planejamento e decisão antecipada.

Por que esse mercado está crescendo?

Os nematoides causam prejuízos expressivos em várias culturas. Na soja, por exemplo, eles atacam a raiz, reduzem a absorção de água e nutrientes e derrubam o potencial produtivo.

Além disso, o problema raramente aparece sozinho. Muitas áreas têm histórico de monocultura, plantas hospedeiras na entressafra, compactação, baixa atividade biológica e falhas no diagnóstico. Esse conjunto cria um ambiente favorável para a multiplicação dos nematoides.

Nesse cenário, o produtor busca ferramentas que ajudem a manejar o problema de forma mais constante. É aí que os bionematicidas entram.

O químico sozinho nem sempre sustenta o manejo

Durante muito tempo, o produtor olhou para o controle de nematoides como uma ação pontual. Aplicava uma ferramenta, esperava o resultado e só voltava a pensar no problema quando o sintoma aparecia.

Mas nematoide não funciona assim.

Ele vive no solo, depende da raiz e pode sobreviver entre safras quando encontra plantas hospedeiras. Portanto, quando o manejo olha apenas para uma aplicação isolada, o problema tende a voltar.

Por isso, o químico sozinho nem sempre sustenta o manejo. Ele pode fazer parte da estratégia, mas precisa entrar dentro de um plano maior.

O que os bionematicidas entregam para o sistema?

Os bionematicidas ganharam força porque ajudam a reforçar o ambiente biológico ao redor da raiz. Eles podem aumentar a competição na rizosfera, ocupar espaço e contribuir para um ambiente menos favorável ao avanço dos nematoides.

Na prática, isso importa porque a raiz é o ponto central do problema.

O nematoide precisa da raiz para se alimentar, se multiplicar e comprometer a planta. Então, quando o produtor melhora o ambiente radicular desde o início, ele reduz a chance de deixar a raiz sozinha em um solo desequilibrado.

Bionematicida não trabalha sozinho

Esse é o ponto principal: bionematicida não faz milagre sozinho.

Ele precisa entrar dentro de um manejo integrado. Isso envolve análise nematológica, rotação de culturas, escolha correta de plantas de cobertura, controle de plantas daninhas hospedeiras, melhoria da estrutura do solo e estímulo à vida microbiana.

Além disso, o posicionamento no plantio faz diferença. Quando a estratégia começa cedo, a raiz já nasce em um ambiente mais preparado. Assim, o manejo atua antes da explosão populacional.

A análise nematológica muda a tomada de decisão

Sem análise, o produtor maneja no escuro. Ele pode até perceber reboleiras e falhas na lavoura, mas não sabe exatamente quais espécies estão presentes nem qual é a pressão na área.

Com a análise nematológica, a decisão fica mais clara. O produtor entende se enfrenta nematoide das galhas, nematoide das lesões, nematoide de cisto, reniforme ou outro grupo importante.

A partir disso, ele consegue escolher melhor a rotação, ajustar o manejo biológico e planejar a próxima safra com mais segurança.

O crescimento dos bionematicidas mostra uma mudança de mentalidade

O avanço dos bionematicidas no Brasil não acontece por moda. Ele mostra que o produtor está entendendo melhor o solo.

Hoje, cada vez mais áreas exigem manejo preventivo, biologia ativa e proteção da raiz desde o início. Afinal, quando o problema está no sistema, a resposta também precisa estar no sistema.

Por isso, falar de bionematicida sem falar de solo, raiz e microbiologia enfraquece a mensagem.

O produtor não quer ouvir apenas sobre uma aplicação. Ele quer entender como proteger a lavoura do prejuízo.

Conclusão

Os bionematicidas estão crescendo no Brasil porque o produtor entendeu que nematoide não se maneja apenas com reação. Ele precisa de diagnóstico, planejamento e equilíbrio biológico no solo.

Quando o manejo combina análise nematológica, rotação de culturas, plantas de cobertura bem escolhidas e microbiologia ativa, a lavoura começa com mais estratégia.

Portanto, a pergunta não é se o bionematicida funciona sozinho. A pergunta certa é: ele está dentro de um sistema bem manejado?


Fonte complementar: Embrapa, Principais nematoides em áreas produtoras de soja no Brasil, 2024.

Fonte: https://croplifebrasil.org/mercado-de-bioinsumos-atinge-r-62-bilhoes-em-vendas-e-area-tratada-cresce-28-em-2025/

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