Plantas Companheiras: Aliada no Controle Biológico de Pragas

Descubra como as plantas companheiras podem melhorar o controle de pragas, proteger culturas e promover a biodiversidade agrícola

A Princípio, o controle biológico é uma prática agrícola essencial para reduzir o uso de pesticidas químicos e preservar o equilíbrio ecológico das lavouras. Sendo assim, elas têm um papel fundamental, atuando como uma ferramenta natural e eficaz para o controle de pragas. Plantas companheiras são espécies cultivadas em associação com outras culturas para atrair predadores naturais, repelir pragas ou melhorar o desenvolvimento das plantas.

Portanto, ao adotar o plantio de plantas companheiras, os agricultores podem aproveitar os benefícios dessa interação natural para melhorar a produtividade, reduzir a necessidade de insumos químicos e proteger o meio ambiente. Neste artigo, vamos explorar o papel das plantas companheiras no controle biológico de pragas, os benefícios dessa prática e exemplos de combinações eficientes para diversas culturas.

1. O que são plantas companheiras?

São espécies cultivadas juntas ou próximas a outras culturas, formando uma relação benéfica entre elas. Essas plantas podem agir de diferentes maneiras no controle de pragas, atraindo predadores naturais, afastando insetos prejudiciais e da mesma forma, criando um ambiente mais favorável para o crescimento da cultura principal.

O conceito de plantas companheiras está enraizado na ideia de que a diversidade no campo promove um ecossistema mais equilibrado, pois é onde os predadores naturais de pragas e outras interações benéficas podem prosperar.

2. Como elas atuam no controle biológico?

As plantas companheiras desempenham diversas funções no controle biológico de pragas, tornando-se uma prática eficaz e sustentável para manter as culturas livres de danos. Abaixo estão as principais formas pelas quais essas plantas atuam:

a) Repelir pragas

Algumas plantas companheiras emitem odores ou compostos químicos que repelem pragas específicas, ajudando a proteger a cultura principal sem a necessidade de pesticidas. Essas plantas criam uma barreira natural contra os insetos, mantendo-os afastados da área de cultivo.

Exemplo: Tagetes (Cravos-de-defunto) emitem compostos que afastam nematoides e outros insetos do solo,protegendo culturas como tomates, pimentões cenouras soja e café.

b) Atração de predadores naturais

Certas plantas companheiras atraem insetos benéficos, como joaninhas, crisopídeos e vespas parasitoides, que se alimentam das pragas que atacam as culturas principais. Isso ajuda a manter o equilíbrio ecológico no campo e reduz a necessidade de controle químico.

Exemplo: Coentro e endro atraem joaninhas e outros predadores naturais que se alimentam de pulgões, protegendo hortaliças como alface e repolho.

c) Fornecimento de habitat para insetos benéficos

Elas também fornecem abrigo e habitat para insetos benéficos, que podem ajudar no controle de pragas ao longo do ciclo de cultivo. Ao manter esses predadores próximos às culturas, é possível garantir um controle biológico contínuo e natural.

Exemplo: Girassóis oferecem um habitat para vespas parasitoides, que controlam lagartas em diversas culturas, como milho e soja.

d) Confusão visual ou olfativa

Algumas plantas companheiras funcionam criando uma confusão visual ou olfativa para as pragas, tornando mais difícil para elas encontrarem a cultura principal. Essa prática ajuda a minimizar os danos causados por pragas que normalmente se alimentariam das plantas cultivadas.

Exemplo: Manjericão plantado ao lado de tomates confunde pragas como moscas-brancas e afídeos, protegendo a cultura de danos.

3. Benefícios das plantas companheiras no controle biológico

O uso de plantas companheiras oferece uma série de benefícios para o controle biológico de pragas e para a sustentabilidade da agricultura. Entre os principais estão:

a) Redução do uso de pesticidas

Ao repelir pragas e atrair predadores naturais, as plantas companheiras ajudam a reduzir ou até eliminar a necessidade de pesticidas químicos. Isso diminui os custos de produção e incrementa a produtividade , ao mesmo tempo, protege o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores agrícolas.

b) Aumento da biodiversidade no campo

A diversificação das culturas com plantas companheiras aumenta a biodiversidade no solo e no ecossistema agrícola proporcionando um melhor ambiente de cultivo. Isso cria um ambiente mais equilibrado, onde pragas e predadores coexistem, minimizando os surtos de pragas que são comuns em monoculturas.

c) Melhora da saúde do solo

Plantas companheiras como leguminosas podem fixar nitrogênio no solo, melhorando sua fertilidade e beneficiando as culturas próximas. Além disso, elas ajudam a prevenir a erosão aumentar a matéria orgânica do solo e consequentemente aumentando a porosidade do solo trazendo uma maior resistência ao stress hídrico.

d) Controle de pragas de forma sustentável

Oferecem uma abordagem ecológica para o controle de pragas, preservando o equilíbrio natural e reduzindo o impacto ambiental causado por práticas agrícolas convencionais.

4. Exemplos de combinações de plantas companheiras para o controle biológico

Algumas combinações de plantas companheiras são amplamente conhecidas por sua eficácia no controle de pragas em diferentes culturas. Aqui estão alguns exemplos práticos:

a) Tomate e manjericão

O manjericão é uma excelente planta companheira para o tomate. Além de melhorar o sabor do tomate, o manjericão repele pragas como moscas-brancas, afídeos e ácaros. Além disso, o manjericão também atrai insetos polinizadores, o que ajuda a aumentar a produção de frutos.

b) Cenoura e alho-poró

A cenoura e o alho-poró formam uma dupla poderosa no controle de pragas. O alho-poró ajuda a repelir a mosca-da-cenoura, uma praga comum que ataca as raízes das cenouras. Ao mesmo tempo, a cenoura ajuda a repelir a traça do alho-poró.

c) Milho, feijão e abóbora (sistema das Três Irmãs)

Esse sistema, tradicionalmente usado por culturas indígenas, combina milho, feijão e abóbora. O milho oferece suporte para o feijão, enquanto o feijão fixa nitrogênio no solo, enriquecendo-o. A abóbora, com suas folhas largas, cobre o solo, prevenindo o crescimento de ervas daninhas e ajudando a reter a umidade. Essa combinação também favorece o controle de pragas, já que a diversidade atrai predadores naturais e confunde pragas.

d) Alface e cebola

A cebola é uma planta companheira eficaz para a alface, pois ajuda a repelir pragas como ácaros e tripes. Além disso, a combinação de alface e cebola maximiza o uso eficiente do espaço, já que ambas têm sistemas radiculares complementares.

5. Considerações quanto ao uso

Embora o uso de plantas companheiras ofereça diversos benefícios, é importante considerar alguns fatores para garantir a eficácia do controle biológico:

  • Escolha correta das plantas: Nem todas as plantas atuam como boas companheiras para todas as culturas. É essencial entender as necessidades específicas de cada planta e as interações que podem ocorrer.
  • Espaçamento adequado: Para que as plantas companheiras não competem por luz, água e nutrientes com a cultura principal, é necessário planejar o espaçamento adequado e se necessário até fazer aplicação de um regulador de crescimento.
  • Manutenção regular: O manejo adequado das plantas companheiras, como a poda e a irrigação, é crucial para garantir que elas desempenhem suas funções de forma eficaz.

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