Corrugata no tomateiro: por que a doença aparece?

C ircu lar T é c n ic a

Autor(a): Diro Hokari

A Corrugata no tomateiro pode surpreender até produtores que acompanham a irrigação, a nutrição e a sanidade da lavoura. Isso acontece porque a doença não depende apenas da presença da bactéria. Na verdade, o problema avança quando o patógeno encontra uma planta vulnerável e condições ambientais favoráveis.

A bactéria Pseudomonas corrugata está entre os principais agentes associados à necrose da medula do tomateiro. Entretanto, outras espécies de Pseudomonas também podem provocar sintomas semelhantes. No Brasil, pesquisadores já associaram Pseudomonas fluorescens e Pseudomonas putida a casos graves de necrose da medula em cultivos comerciais do Paraná e de Minas Gerais. Portanto, o sintoma visual não confirma sozinho a presença de Corrugata.

Uma área bem manejada não está livre de desequilíbrios

O bom manejo reduz riscos, mas não cria uma barreira absoluta contra doenças. Em algumas situações, a lavoura apresenta boa aparência, recebe nutrição adequada e mantém um crescimento vigoroso. Ainda assim, pequenas mudanças no ambiente podem favorecer a infecção.

A umidade elevada, o excesso de nitrogênio, o crescimento muito rápido, as noites frias e os períodos nublados aparecem com frequência em áreas que registram necrose da medula. Além disso, mudanças bruscas de temperatura podem aumentar o estresse do tomateiro.

Consequentemente, uma área pode apresentar boa condução geral e, ao mesmo tempo, reunir condições pontuais favoráveis à doença. Isso ocorre principalmente em estufas e túneis, onde o produtor controla parte do ambiente, mas a umidade pode permanecer alta por várias horas.

Como a bactéria entra no tomateiro?

As bactérias associadas à necrose da medula costumam agir de forma oportunista. Em vez de invadir facilmente um tecido saudável e intacto, elas aproveitam ferimentos para entrar na planta.

Esses ferimentos podem surgir durante a desbrota, a amarração, a poda, o tutoramento, a colheita ou o atrito entre plantas e estruturas. Além disso, pequenas lesões também podem ser causadas por vento, insetos ou crescimento acelerado dos tecidos.

Depois da entrada, a bactéria alcança os tecidos internos do caule. Então, a medula começa a perder sua coloração normal. Com o avanço da doença, o tecido pode escurecer, retrair e formar cavidades. Ferramentas contaminadas, respingos de irrigação, sementes e restos vegetais podem participar da disseminação.

Sete sinais de Corrugata no tomateiro

O primeiro sinal pode aparecer nas folhas mais novas, que perdem a coloração verde e começam a amarelar. Enquanto isso, folhas inferiores também podem murchar.

O segundo sinal envolve a redução do crescimento. A planta perde vigor e passa a apresentar desenvolvimento irregular em comparação com as plantas vizinhas.

Em seguida, lesões alongadas e escuras podem surgir no caule, nos pecíolos ou nos pedúnculos. Essas marcas variam do marrom ao preto e nem sempre aparecem nos estágios iniciais.

O quarto sinal está na formação de raízes adventícias no caule. A planta produz essas raízes acima do solo porque o transporte interno de água e nutrientes sofreu alterações.

O quinto sinal aparece quando o caule racha. Nesse caso, o tecido pode ficar frágil e apresentar aberturas longitudinais.

O sexto sinal fica escondido. Quando o caule é cortado no sentido longitudinal, a medula pode apresentar coloração marrom, áreas escuras, espaços vazios ou divisões semelhantes a pequenas câmaras.

Por fim, plantas severamente atingidas podem murchar, quebrar ou morrer. No entanto, plantas com sintomas leves também podem se recuperar quando o ambiente se torna mais seco, ventilado e favorável ao desenvolvimento.

Crescimento vigoroso também pode aumentar o risco

O produtor costuma associar crescimento rápido a uma planta saudável. Porém, o excesso de vigor pode produzir tecidos mais tenros e aumentar a necessidade de água.

Além disso, doses elevadas de nitrogênio estimulam o crescimento vegetativo. Quando esse crescimento ocorre junto com alta umidade, pouca luz e noites mais frias, a planta pode ficar mais suscetível à necrose da medula.

Por esse motivo, a adubação não deve buscar apenas volume de folhas e caule. O manejo precisa manter equilíbrio entre crescimento vegetativo, formação de frutos e resistência dos tecidos. Relatos de campo associaram surtos de Corrugata no tomateiro ao excesso de nitrogênio, especialmente em sistemas protegidos ou com cobertura plástica.

Como diferenciar Corrugata de outros problemas?

Murcha, amarelecimento e escurecimento interno também aparecem em outras doenças. Cancro bacteriano, murcha bacteriana e outras espécies de Pseudomonas podem confundir a avaliação.

Além disso, problemas fisiológicos e danos mecânicos podem causar rachaduras, raízes adventícias e desenvolvimento irregular. Portanto, o produtor precisa avaliar o conjunto dos sintomas.

O corte longitudinal do caule ajuda a encontrar a necrose da medula. Contudo, a identificação correta da bactéria exige análise laboratorial. Essa confirmação se torna ainda mais importante porque diferentes bactérias podem provocar praticamente o mesmo padrão de dano.

Como reduzir a ocorrência da doença?

O manejo começa pelo equilíbrio nutricional. Em primeiro lugar, evite o excesso de nitrogênio e acompanhe o crescimento das plantas ao longo do ciclo.

Além disso, melhore a ventilação em ambientes protegidos. Abra as estruturas nos horários adequados, reduza o tempo de molhamento e ajuste a irrigação conforme a demanda da cultura.

As ferramentas usadas na poda e na desbrota precisam ser higienizadas. Da mesma forma, trabalhadores devem evitar passar de plantas doentes para plantas sadias sem limpar mãos e equipamentos.

Plantas com sintomas severos devem ser retiradas da área. Também é importante eliminar restos culturais infectados, plantas voluntárias e hospedeiros próximos ao cultivo.

Por fim, sementes sadias, drenagem adequada e redução de ferimentos completam o manejo preventivo. Como não existem soluções simples capazes de corrigir o problema depois que a medula foi comprometida, a prevenção continua sendo a estratégia mais segura.

O manejo precisa observar os detalhes

A Corrugata no tomateiro não indica necessariamente que todo o manejo falhou. Muitas vezes, a doença aproveita uma combinação específica de umidade, crescimento acelerado, ferimentos e desequilíbrio nutricional.

Portanto, o produtor deve investigar o ambiente antes de aumentar aplicações ou alterar todo o sistema. Observar o interior do caule, registrar os pontos afetados e confirmar o agente em laboratório ajuda a evitar decisões erradas.

No fim, uma lavoura bem manejada não é aquela que nunca enfrenta doenças. É aquela em que os primeiros sinais são identificados e as condições favoráveis ao problema são corrigidas antes que a doença avance.

Fontes:

NC State Extension, Tomato Pith Necrosis.

Mota, Tebaldi e Luz, ocorrência de bactérias associadas à necrose da medula do tomateiro no Brasil.

Powell e colaboradores, primeiro relato de necrose da medula causada por Pseudomonas corrugata em Washington.

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Link externo de autoridade:
– Embrapa Café — Nematoides em cafeeiros

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